Quarta, 26 de Agosto de 2026
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Brasil paralisa aplicação de vacina do Butantan contra dengue

Brasil paralisa aplicação de vacina do Butantan contra dengue

09/06/2026 às 10h20
Por: Redação Fonte: UOL
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Instituto Butantan
Instituto Butantan

O Ministério da Saúde anunciou hoje que paralisou temporariamente a aplicação da vacina do Instituto Butantan contra a dengue devido a efeitos adversos que estão sob investigação.

O que aconteceu
Foram registrados 42 episódios de reação mais severas. Algumas foram "absolutamente inesperadas", segundo o governo. Entre as 500 mil doses aplicadas, houve três casos considerados mais graves. O ministério afirma que ainda não há dados suficientes para vincular à vacinação, por isso vai ser intensificada a investigação, com a ajuda do Butantan.

Segundo dados do Ministério da Saúde, a taxa de reação adversa corresponde a 0,7% do total vacinado. Os casos com sinais de alarme, que levaram à suspensão, são 0,008% das pessoas imunizadas. Eles desenvolveram sintomas similares aos da dengue.

 

Dois dos três casos graves investigados levaram à morte. Segundo o ministério, uma mulher de 48 anos morreu após desenvolver dengue grave com comprometimento neurológico (meningoencefalite) 19 dias depois da vacinação. O outro óbito foi de um homem de 58 anos que apresentou quadro febril cinco dias após receber a dose e evoluiu rapidamente para dengue grave, com choque refratário. As duas mortes aconteceram entre março e abril.

Terceiro caso envolveu uma mulher de 39 anos que precisou de UTI. Ela apresentou febre, dor muscular e náuseas seis dias após a vacinação, evoluindo para dengue grave com choque. A paciente recebeu alta.

Vacinados recentemente devem ser monitorados pelos próximos dias. Quem tiver tomado esse imunizante nos últimos 21 dias deve acompanhar a evolução do quadro. Investigação vai envolver o instituto, Anvisa, Ministério da Saúde e rede de saúde.

Ministério fala que adota precaução. Essa vacina estava sendo usada para imunizar os profissionais de atenção primária de saúde em todo o país, além de ser distribuída em Nova Lima (MG), Botucatu (SP), Maranguape (CE) e Araguaína (TO).

Prazo de suspensão não foi determinado. Ministério fala que o tempo de apuração vai ser "o mais rápido possível", mas evitou dar uma data porque ressaltou ser importante chegar às respostas.

Padilha reforça confiança na vacina. O ministro Alexandre Padilha afirmou que a decisão segue a lógica de segurança do sistema de vigilância e que a população deve manter a tranquilidade em relação aos já vacinados: "A descontinuidade tem um objetivo. Primeiro, é a ação de precaução, que deve sempre guiar quem respeita a vida, quem respeita a ciência, ainda mais quando a gente está falando de vacinação".

Ministério destaca monitoramento contínuo para identificar reações adversas raras. Segundo Padilha, o sistema de farmacovigilância permite detectar eventos inesperados após a aplicação das doses e foi esse acompanhamento que embasou a decisão de interromper temporariamente a estratégia para aprofundar as investigações.

Governo salienta que proteção contra dengue não foi afetada. Decisão de suspensão busca encontrar fatores de risco e situações que aumentem problemas para quem tomou a vacina.

Febre, dor abdominal intensa e contínua, sangramentos e sonolência intensa são sintomas a serem observados nos imunizados. A recomendação é procurar auxílio médico se esses sinais aparecerem e forem persistentes. Além disso, deve ser monitorado quem apresentar tontura, piora do estado geral, irritabilidade, vômitos e desidratação.

Governo aponta redução de mortes devido à vacinação. Foram 178 mortes neste ano, até 30 de maio, em comparação com 2025, que teve 1.791 óbitos. Uma redução de 97%. Entre os casos, houve diminuição de 92% nesses cinco primeiros meses do ano.

Doses vão ficar refrigeradas e guardadas. A recomendação do ministério é que as doses sigam armazenadas em local refrigerado pelas secretarias locais de saúde.

Instituto diz, em nota, que vai fazer novos estudos e acompanhar casos. "O Instituto Butantan mantém seu compromisso e rigor absoluto com a ciência e a saúde da população e irá seguir trabalhando para apoiar o Ministério da Saúde e a Anvisa, fornecendo todas as informações disponíveis sobre a vacina, realizando novos estudos e acompanhando o trabalho de farmacovigilância dos vacinados", afirma o instituto (leia a íntegra ao final deste texto).

Imunização com essa vacina começou em janeiro. A vacina é composta pelos quatro sorotipos do vírus da dengue e utiliza a tecnologia de vírus atenuado, ou seja, vírus vivos enfraquecidos em laboratório para não causar a doença, mas ainda capazes de estimular o sistema imunológico. As cepas utilizadas são baseadas em uma tecnologia originalmente desenvolvida pelos NIH (Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos).

Ela funciona com dose única. A vacina foi aprovada pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) em novembro de 2025. Desde então, o Butantan enviou quase 1,3 milhão de doses ao PNI (Programa Nacional de Imunizações), responsável por distribuí-las ao SUS (Sistema Único de Saúde).

O SUS também oferece a vacina Qdenga, da farmacêutica Takeda. Não foram identificados problemas nem efeitos adversos nesse imunizante.

O que diz o Butantan
"O Instituto Butantan informa que, seguindo orientação do Ministério da Saúde e da Anvisa, a vacinação contra a dengue será, de maneira preventiva, temporariamente interrompida para reavaliação da estratégia vacinal.

No momento, profissionais de saúde estavam sendo vacinados. A orientação ocorre em razão de alguns casos de reação adversa detectados, três deles com sinal de gravidade, em um universo de aproximadamente 500 mil vacinados, que podem ou não estar relacionados à vacinação. A medida visa garantir a segurança da população nas próximas etapas da vacinação.

O Instituto Butantan mantém seu compromisso e rigor absoluto com a ciência e a saúde da população e irá seguir trabalhando para apoiar o Ministério da Saúde e a Anvisa, fornecendo todas as informações disponíveis sobre a vacina, realizando novos estudos e acompanhando o trabalho de farmacovigilância dos vacinados. Cabe ressaltar que a vacina teve eficácia global de 79,6% e 89% contra a dengue grave em estudo publicado em revista científica internacional. Nos três municípios onde houve vacinação em massa da população - Botucatu (SP), Maranguape (CE) e Nova Lima (MG) —, o acompanhamento de farmacovigilância se mostrou positivo, sem casos importantes de reação adversa na população.

O Instituto Butantan, como já demonstrado em casos recentes, seguirá trabalhando com o mais absoluto rigor para aprofundar as informações sobre o uso da vacina para que, em se confirmando sua segurança, a vacinação possa ser retomada em breve, com toda a tranquilidade para a população atendida pelo SUS. O Instituto Butantan reafirma seu compromisso de entregar produtos seguros e eficazes para enfrentamento de problemas de saúde pública brasileira pelo SUS."

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