
A fotografia tem o poder mágico de nos conectar com a nossa própria essência e de eternizar instantes que parecem guardar histórias inteiras dentro de si. Foi exatamente esse sentimento de profunda conexão que me envolveu ao visitar A Casa do Parque para o lançamento da exposição Aura Noir, da querida artista Olinda Altomare.
Fiquei absolutamente impressionada com a sensibilidade da sua obra. Uma imagem em especial tocou meu coração de forma avassaladora: a majestosa Via Láctea moldada sobre o silêncio de uma árvore seca no Pantanal mato-grossense. Aquela cena me impactou tanto que imediatamente me lembrei de um vestido que tinha visto em um site. Pensei: Meu Deus, essa roupa é a identidade exata da foto dela. Não tive dúvidas. Comprei o vestido e fiz questão de voltar à galeria para registrar esse momento de pura admiração.
Esse registro carrega um significado profundamente íntimo para mim. Tenho uma longa história de amor e pertencimento com o Pantanal, um dos lugares mais perfeitos onde Deus colocou o dedo. Quem já esteve nas barrancas daquele santuário sabe que a natureza ali pulsa de modo cru, e que a imensidão da Via Láctea se revela a olho nu em um espetáculo sublime de 360 graus.
Olinda teve a sensibilidade absoluta de captar toda a emoção da presença divina naquele cenário. Minha foto ao lado da obra é uma brincadeira feita com imenso respeito e aplausos de pé a essa grande mulher, que além de exercer uma profissão de extrema importância e responsabilidade, permitiu-se desacelerar, respirar e se reinventar como artista plástica.
A vida é exatamente esse exercício de presença: um dia depois do outro, aprendendo com os silêncios e com os vazios para transformar cada vivência em pura arte.
Parabéns, Olinda!
by me, Anamaria Bianchini
