Quinta, 15 de Outubro de 2026

Dia dos professores: os desafios da docência e o impacto da inteligência artificial nas salas de aula

Em meio à desvalorização profissional e ao avanço das Big Techs em sala de aula, educadores defendem que o conhecimento é um bem humano e coletivo

15/10/2026 às 09h37
Por: Redação Fonte: Oimparcial
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(Foto: SEDUC)
(Foto: SEDUC)

Neste Dia dos Professores, o debate sobre o papel do educador ganha uma densidade inédita. Entre a luta histórica por valorização profissional e a popularização da Inteligência Artificial (IA) nas salas de aula, professores enfrentam um cenário de profundas transformações no modo como o conhecimento é produzido e transmitido na sociedade.

 

Comemorado em 15 de outubro, o Dia do Professor presta homenagem ao decreto de 1827 que criou as primeiras escolas de ensino elementar no Brasil. Apesar da importância primordial, dados da Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (Unesco) revelam que, em dois a cada cinco países, os docentes ganham menos do que outros profissionais com o mesmo nível de qualificação. A motivação para seguir na carreira, no entanto, permanece ancorada no seu impacto social. 

 

Em entrevista a O Imparcial, Lucas Parreão, professor de História do ensino fundamental em duas escolas públicas, revelou que, mesmo antes de escolher a carreira, já sabia que o caminho não seria fácil.

“O meu maior desafio hoje é trabalhar com uma diversidade enorme de alunos. Alunos com transtornos, dificuldades de aprendizagem ou disciplina. Tudo isso aliado à realidade da escola pública torna a docência um desafio ainda maior”, relatou.

Professor Lucas Parreão

Uma visão semelhante é compartilhada por Rakel de Castro, professora do curso de Jornalismo da Universidade Federal do Maranhão (UFMA), para quem o grande motor da profissão é, paradoxalmente, o seu maior obstáculo: a luta pela democratização do ensino. 

“O que me motivou a escolher a docência foi acreditar que a educação é um bem coletivo, e como um bem coletivo, ela não pode ser reduto exclusivo só de quem pode pagar. E o meu maior desafio hoje é o desafio que se coloca desde sempre: lutar contra uma estrutura que não quer que a educação se democratize. Por isso os baixos salários, por isso a desvalorização”, pontuou Rakel.

Inteligência Artificial: Auxílio ou Substituição? 

Com a popularização das ferramentas de Inteligência Artificial (IA) entre estudantes e pesquisadores, o debate sobre o futuro do ensino ganhou contornos ainda mais complexos. A tecnologia passou a disputar diretamente a mediação da aprendizagem e a construção do saber crítico.

Dentro da universidade, essa preocupação respinga na ética de produção de pesquisas e do saber científico, como explica Rakel.

 “A forma de conhecer o mundo hoje, está sendo disputada com essas inteligências artificiais que são treinadas com nosso conhecimento, o conhecimento gerado em pesquisa e em construção em sala de aula. Então, é necessário ter muito cuidado quando a gente opta por usar inteligência artificial nas construções científicas. É importante direcionar esse uso para que não se troque a noção de que essa IA é uma ferramenta de auxílio e não de agência por nós.” 

Professora Rakel de Castro e alunos

Apesar das críticas, a proibição do uso dessas ferramentas é considerada inviável no ambiente escolar, principalmente quando se trata de crianças em idade formativa, que já cresceram nativas digitais. Para Lucas Parrão, a parceria entre família e escola é mais necessária do que nunca quando se trata do desenvolvimento emocional e social associado ao uso precoce dessas tecnologias.

“Os estudantes têm a tecnologia na palma da mão e não dá para os professores ignorarem. O grande desafio é atiçá-los usando a IA, pensando como ferramenta pedagógica. Tudo parte de conscientização. A família precisa impor limites aos alunos e lembrar o motivo  pelo qual eles vão para a escola. Essa última, por sua vez, precisa oferecer ferramentas para engajar e tornar o ensino/aprendizado mais atraente para o aluno”, declarou Lucas.

Celebrar o Dia dos Professores neste cenário é reconhecer aqueles que lutam pela qualidade e democratização do ensino. É exaltar a coragem de quem abraçou a missão de formar cidadãos em tempos de incertezas e transformações aceleradas, lembrando que a sensibilidade, o acolhimento e o compromisso humano continuam sendo o coração insubstituível da sala de aula.

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