Quarta, 02 de Setembro de 2026

Nepal reconstruirá sistema de alerta na fronteira com a China após enchente

Medida ocorre uma semana após enchente provocada pelo colapso de uma geleira deixar milhares de mortos e desaparecidos

02/09/2026 às 13h59
Por: Redação Fonte: CNN Brasil
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Enchente desceu vale antes de destruir múltiplos imóveis no Nepal • ClipLions via @MyhoodBR
Enchente desceu vale antes de destruir múltiplos imóveis no Nepal • ClipLions via @MyhoodBR

O Nepal planeja reconstruir um sistema de alerta para deslizamentos de terra em parte de sua fronteira com a China, com a instalação de sensores sísmicos, câmeras e uma conexão via satélite, segundo duas fontes do governo nepalês ouvidas pela Reuters. A medida ocorre uma semana após uma enchente provocada pelo colapso de uma geleira deixar milhares de mortos e desaparecidos.

 

Os equipamentos serão instalados em Timure, um povoado fronteiriço no distrito de Rasuwa, no mesmo corredor fluvial na fronteira com a China por onde uma gigantesca parede de lama, água e rochas desceu pelos vales montanhosos após o colapso da geleira.

Mais de 1.200 pessoas morreram nos dois países, a grande maioria no Nepal, e quase 4 mil continuam desaparecidas, segundo boletins divulgados até esta quarta-feira (2).

 

A região onde os equipamentos serão instalados fica em uma das áreas mais sensíveis da fronteira do Nepal com o Tibete chinês, em uma região de grande altitude monitorada de perto por Katmandu, Pequim e Nova Délhi.

O Nepal ainda não anunciou oficialmente os planos. As duas fontes falaram sob condição de anonimato porque não tinham autorização para discutir o assunto.

 

As autoridades disseram que há urgência para agir.

“A paisagem está se ajustando após o megaevento, então isso pode provocar mais alguns deslizamentos”, disse uma das fontes.

Monitoramento por helicóptero

Um dos elementos centrais do plano é um sistema de satélite conhecido como VSAT (Very Small Aperture Terminal), que deverá manter os postos de monitoramento conectados mesmo quando as redes de telefonia móvel estiverem fora do ar. Com isso, será possível identificar rapidamente novos riscos e emitir alertas, segundo as duas fontes.

Um apagão desse tipo ocorreu quando a enchente da semana passada destruiu pelo menos quatro estações de medição próximas à fronteira.

 

“Já tínhamos sensores e estações de monitoramento, mas eles não eram monitorados de forma abrangente”, disse uma das fontes, descrevendo o sistema de alerta anterior, que enviava uma mensagem a cada poucos minutos, mas foi levado pela enchente de quarta-feira.

“Como não sabíamos disso, não pudemos verificar quando eles pararam de funcionar.”

Inicialmente, câmeras, sensores e o VSAT serão instalados em um único local pela Autoridade Nacional de Redução e Gestão de Riscos de Desastres do Nepal (NDRRMA). Outros equipamentos deverão ser instalados posteriormente, disse a segunda fonte. Autoridades já fizeram um levantamento da área de helicóptero para avaliar os locais de instalação.

Um porta-voz da NDRRMA não respondeu imediatamente aos pedidos de comentário da Reuters por e-mail e mensagem.

 

O Ministério das Relações Exteriores da China e a embaixada do país no Nepal também não responderam imediatamente a um pedido de comentário.

Desde o desastre, a China afirmou que imagens das áreas afetadas, dados de satélite e hidrológicos, além de informações de alerta sobre lagos represados a montante, foram compartilhados com o Nepal.

Poucos minutos para agir

O perigo imediato representado por dois lagos represados próximos à fronteira — formados após o colapso da geleira — passou depois que eles escoaram. Mas o terreno continua instável e é monitorado de perto, segundo uma das fontes.

Um sistema de alerta para eventos provocados por deslizamentos daria às autoridades apenas alguns minutos para avisar as comunidades localizadas rio abaixo sobre uma nova enchente. Ainda assim, essa breve janela poderia ser decisiva.

 

A enchente da semana passada atingiu uma passagem de fronteira às 8h32, mas um alerta público só foi emitido às 9h13, segundo reportagem anterior da Reuters.

Nos meses anteriores ao desastre, o Nepal havia pressionado a China por um compartilhamento mais detalhado e em tempo real de dados sobre o movimento de geleiras e os níveis dos rios. Agora, autoridades nepalesas planejam ampliar a cooperação entre os dois países.

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