
Pouco mais da metade dos estudantes brasileiros acredita que tem um bom preparo por parte da universidade para um mercado de trabalho impactado pela inteligência artificial. É o que mostra uma pesquisa da holding de educação Pearson em parceria com a Amazon Web Services (AWS).
O estudo investigou o impacto da IA no ensino superior em seis países, incluindo o Brasil, e apontou uma distância entre o avanço da tecnologia, a formação oferecida pelas universidades e as competências exigidas pelas empresas.
Segundo o levantamento, 52% dos estudantes brasileiros consideram que são preparados bem ou razoavelmente bem por suas instituições para atuar em um ambiente profissional baseado em inteligência artificial. O percentual fica abaixo da média de 61% registrada nos seis países.
Entre os graduandos, um número menor ainda, de 47%, relatou estar satisfeito com a quantidade de conteúdos sobre IA oferecida nos currículos pedagógicos. Esse é o menor percentual entre os países analisados.
A percepção dos universitários sobre seu próprio preparo profissional contrasta com a importância que a IA passou a ter nas contratações:
A pesquisa indica que, para as empresas, não basta que os novos profissionais saibam utilizar as ferramentas. Também é necessário compreender limites, ter pensamento crítico sobre as respostas e reconhecer os riscos associados ao uso da tecnologia.
Competências tradicionalmente associadas ao trabalho humano vêm na sequência da IA. 38% dos empregadores consideram adaptabilidade, comunicação e colaboração como prioridades na contratação.
O cenário é diferente do observado nos Estados Unido e no Reino Unido. Nesses países, comunicação e colaboração aparecem no topo das prioridades dos empregadores.
A diferença ajuda a mostrar como a chegada da IA ao mercado de trabalho está alterando as expectativas sobre os recém-formados. O profissional procurado pelas empresas precisa combinar conhecimento técnico com capacidade de julgamento, adaptação e interação com outras pessoas.
Ao mesmo tempo que menos da metade dos universitários está satisfeita com a participação da IA nas grades curriculares, grande parte recorre a ferramentas por conta própria. Entre 55% e 66% dos estudantes relatou que recorre a ferramentas que não foram aprovadas ou disponibilizadas pelas instituições de ensino.
A lacuna entre o ensino e a aplicação prática também aparece na visão das empresas. Para 42% dos empregadores brasileiros, a distância entre o conhecimento acadêmico e a aplicação em situações reais é uma barreira para a contratação de recém-formados.
Apesar disso, o levantamento identifica sinais de avanço. Mais da metade dos empregadores (54%) afirma que os recém-formados de hoje chegam ao mercado mais preparados do que aqueles contratados há cinco anos. Entre os principais pontos fortes estão a agilidade para aprender (58%) e a capacidade de utilizar ferramentas digitais e de IA (52%).
Para Cinthia Nespoli, CEO da Pearson no Brasil, o desafio agora é transformar a expansão do acesso à tecnologia em preparo real para o mercado de trabalho.
O levantamento no Brasil consultou 500 participantes (350 estudantes de graduação, 100 líderes do ensino superior e 50 empregadores) entre 7 e 28 de janeiro de 2026.