Segunda, 14 de Setembro de 2026

O QUE VOCÊ ESTÁ TENTANDO PROTEGER?

O que de fato determina muitas das suas escolhas?

14/09/2026 às 14h14
Por: Redação
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O QUE VOCÊ ESTÁ TENTANDO PROTEGER?

Todos os dias milhares, milhões de pessoas acordam cheias de determinação.

Hoje o dia vai ser diferente.

Hoje eu começo.

Hoje eu paro.

Hoje eu mudo.

Estão determinadas a mudar, mas muitas vezes enfraquecidas de vontade real.

E existe uma pergunta que quase nunca fazemos:

Como posso combater um inimigo que não enxergo?

Ou, indo um pouco além:

Como posso mudar algo que sequer imagino que exista?

Olhar para si mesmo pode ser uma tarefa muito mais complicada do que parece, principalmente quando não sabemos exatamente em que direção olhar.

Às vezes estamos tão apegados a uma rotina que nem percebemos que ela deixou de nos pertencer. Repetimos comportamentos, reações, desculpas, medos. Fazemos hoje aquilo que fizemos ontem e, ainda assim, esperamos que amanhã seja diferente.

Só que existe uma coisa óbvia que frequentemente esquecemos:

para que alguma coisa vá embora, primeiro precisamos abrir a mão.

Precisamos deixar ir.

Mas como abandonar aquilo que ainda não conseguimos identificar?

Foi pensando nisso que desenvolvi um método que chamo de Protocolo do Lobo.

Dentro desse trabalho existe um exercício extremamente simples, mas que pode revelar muito sobre aquilo que está acontecendo verdadeiramente em nossa vida.

Eu o chamo de: Relatório do Incômodo.

Sem distrações.

Sem ilusões.

Sem aquela velha habilidade humana de criar uma explicação confortável para tudo aquilo que não queremos enfrentar.

Você vai precisar apenas de um caderno, uma folha de papel ou até mesmo do celular.

E vai começar a observar três coisas.

Um tripé:

Sintoma. Comportamento. Causa provável.

Primeiro: o sintoma

O sintoma é aquilo que você sente diante de determinada situação.

Pode ser raiva.

Ansiedade.

Medo.

Insegurança.

Procrastinação.

Frustração.

Ou qualquer outro sentimento que apareça repetidamente em determinadas situações da sua vida.

Não tente julgá-lo.

Apenas identifique.

O que estou sentindo agora?

E anote.

Segundo: o comportamento

Depois de identificar aquilo que sentiu, observe o que você fez em seguida.

Essa parte é extremamente importante.

Porque muitas vezes criamos comportamentos para aliviar aquilo que estamos sentindo.

Você pega o celular e começa a rolar o feed.

Acende um cigarro.

Bebe.

Come sem fome.

Sai do ambiente.

Briga.

Se cala.

Arruma uma justificativa.

Adia aquilo que precisava fazer.

O comportamento pode mudar de pessoa para pessoa, mas a pergunta continua sendo a mesma:

O que eu faço quando sinto isso?

Anote novamente.

Terceiro: a causa provável

Agora chegamos à pergunta mais difícil.

E talvez à mais importante:

O que esse comportamento está tentando proteger?

Você está evitando assumir uma responsabilidade?

Está tentando escapar do medo de fracassar?

Existe uma necessidade de aprovação?

Medo de rejeição?

Vergonha?

Orgulho?

Medo de perder o controle?

Não procure imediatamente uma resposta perfeita.

Procure uma resposta honesta.

É diferente.

Então com o caderno em mãos, divida uma folha em três colunas:

SINTOMA | COMPORTAMENTO | CAUSA PROVÁVEL

E comece a observar sua própria vida.

Você pode fazer as anotações no momento em que as situações acontecem ou, no final do dia, reservar alguns minutos para reconstruir aquilo que viveu.

Não existe uma única maneira correta.

Existe aquela que funciona para você.

Vou dar um exemplo

Você chega ao trabalho e descobre que alguém inventou alguma coisa sobre sua conduta.

Imediatamente sente raiva.

Sintoma: raiva.

Em vez de enfrentar a situação, pega o celular e passa vários minutos rolando o feed. Ou sai para fumar um cigarro.

Comportamento: fuga.

Agora vem a pergunta:

O que estou tentando proteger?

Talvez exista medo de conversar com a pessoa.

Talvez você tema perder o controle.

Talvez esteja evitando um confronto.

Talvez seja outra coisa completamente diferente.

Não importa.

O importante é que, pela primeira vez, você lançou luz sobre algo que antes simplesmente acontecia.

E isso muda muita coisa.

Porque aquilo que conseguimos enxergar deixa de agir completamente escondido.

Agora você sabe onde está o estopim.

E, se sabe onde ele está, começa a ter a possibilidade de desarmar a bomba.

Na próxima vez que uma situação semelhante acontecer, e provavelmente acontecerá, existe uma diferença fundamental:

você poderá escolher fazer diferente.

Antes você apenas reagia.

Agora você observa.

E entre reagir e observar existe um espaço.

É justamente nesse espaço que começa a mudança.

Não precisa ser complicado

O jogo é simples.

Exige disposição e ação.

Algumas pessoas que já fizeram esse exercício comigo preferiram anotar tudo no final do dia.

Outras perceberam que funcionava melhor registrar imediatamente depois que alguma coisa acontecia.

Pouco importa.

O importante é começar a perceber padrões.

Com o passar dos dias, você talvez descubra que situações que antes pareciam enormes começam a perder força.

Não necessariamente porque o mundo mudou.

Mas porque você começou a entender por que reagia daquela maneira.

Existe um versículo bíblico, em Provérbios 23:7, que diz:

“Porque, como imagina em sua alma, assim ele é.”

Aquilo que alimentamos profundamente influencia a maneira como enxergamos a nós mesmos, o mundo e as decisões que tomamos.

Por isso, identificar aquilo que realmente tem impedido você de avançar em direção aos seus sonhos pode ser o começo de uma mudança muito maior.

Então comece.

Sintoma.

Comportamento.

Causa provável.

Quando você fizer esse exercício pela primeira vez, alguma coisa importante começa a acontecer:

aquilo que estava escondido começa a ganhar nome.

E aquilo que tem nome pode ser observado.

Questionado.

Compreendido.

E, finalmente, transformado.

Talvez você perceba que a mudança que procurou durante tanto tempo não estava apenas nas circunstâncias, nas outras pessoas ou no mundo ao seu redor.

Talvez uma parte importante dela estivesse dentro de você.

Abra a mão

Talvez tenha chegado o momento de cortar algumas correntes.

De dizer não para algumas amarras.

De abandonar comportamentos que um dia talvez tenham servido para protegê-lo, mas que hoje apenas impedem você de avançar.

E aqui existe algo importante:

você não precisa apagar sua história para construir uma história diferente.

Não permita que aquilo que disseram sobre você determine aquilo que você ainda pode ser.

Não transforme o ontem numa sentença.

O passado é referência.

O futuro ainda não aconteceu.

O único lugar onde você pode fazer alguma coisa é agora.

Então olhe para dentro.

Nem para trás.

Nem para frente.

Para dentro.

Talvez algumas respostas estejam esperando justamente ali.

E quando você identificar aquela pedra no caminho, talvez descubra outra coisa:

você não precisa passar o resto da vida tentando arrancá-la dali.

Reconheça que ela existe.

Entenda por que ela estava no seu caminho.

E siga.

O mundo continua enorme.

O sol continuará nascendo amanhã.

A brisa continuará chegando.

A água continuará descendo da fonte.

Os pássaros continuarão cantando.

E você continuará tendo a possibilidade de escolher o que fazer com o próximo instante da sua vida.

O mundo sem você seria chato pra caramba.

Percebeu?

Existem pessoas para quem sua existência importa.

Existem coisas que ainda podem ser vividas.

Então mãos à obra.

A hora é agora.

E o futuro?

Bem, o futuro pode esperar.

Porque, no final das contas, tudo o que realmente temos é o agora.

E é no agora que tudo acontece.

Faça valer a pena.

Se, de alguma maneira, este texto despertar alguma coisa em você, já terá valido a pena tê-lo escrito.

E, a propósito, eu mesmo trilhei esse caminho.

Foi fácil?

Não.

Ainda é fácil?

Nem sempre.

Mas é possível.

E talvez seja justamente por ter vivido parte desse processo que eu possa olhar para você agora e dizer:

comece.

Não precisa resolver sua vida inteira hoje.

Compre um caderno.

Abra a primeira página.

Faça três colunas.

E observe.

Talvez o extraordinário não comece quando tudo estiver resolvido.

Talvez comece exatamente no instante em que você finalmente consegue enxergar aquilo que estava tentando proteger.

Luiz Fernando é jornalista em Cuiabá, palestrante, terapeuta holístico e criador do Protocolo do Lobo.

@luizfernandofernandesmt

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