
Cuiabá (MT), outubro de 2026 – Acordar com o corpo travado, sentir dores nas articulações ou apresentar dificuldades para caminhar são situações frequentemente associadas ao chamado “reumatismo”, especialmente entre pessoas idosas. No entanto, esses sintomas podem estar relacionados a diferentes doenças, enquanto a osteoporose pode se desenvolver durante anos sem provocar qualquer desconforto. O alerta é do ortopedista e traumatologista Maurício de Araújo Allet, do Hospital Ortopédico, em Cuiabá, que chama a atenção para a importância de reconhecer as diferenças entre essas condições e prevenir complicações que podem comprometer a autonomia dos pacientes.
Segundo informações divulgadas pelo Ministério da Saúde, estima-se que cerca de 10 milhões de brasileiros convivam com a doença, caracterizada pela redução da densidade e da resistência dos ossos. Apesar da dimensão do problema, muitos pacientes desconhecem o diagnóstico até sofrerem uma fratura.
De acordo com o Dr. Maurício, a confusão começa pelo uso da palavra “reumatismo”, frequentemente empregada para descrever dores musculares e articulares. Na realidade, as doenças reumáticas abrangem um conjunto amplo de condições, algumas capazes de comprometer até órgãos internos. A osteoporose, por sua vez, afeta a resistência dos ossos, enquanto a artrose e a artrite apresentam características diferentes.
Na artrose, ocorre um processo degenerativo que compromete a cartilagem das articulações, podendo provocar dor e rigidez. Já a artrite envolve processos inflamatórios associados a diferentes causas, como doenças autoimunes, infecções e acúmulo de cristais de ácido úrico.
“A osteoporose, em linhas gerais, provoca um enfraquecimento lento e progressivo dos ossos. É uma doença silenciosa e normalmente se manifesta através de fraturas por traumas simples”, explica o ortopedista.
Essa característica faz com que a doença passe despercebida por longos períodos. O médico esclarece que a perda de massa óssea não costuma provocar dor diretamente. Em situações mais avançadas, porém, podem surgir fraturas vertebrais, inclusive após esforços aparentemente simples, acompanhadas de dores repentinas nas costas.
Uma queda pode mudar a rotina
Entre os grupos que exigem maior atenção estão mulheres após a menopausa, pessoas idosas, pacientes submetidos à cirurgia bariátrica e aqueles com condições que dificultam a absorção de nutrientes importantes para a saúde óssea, como cálcio e vitamina D. O uso prolongado de determinados medicamentos, especialmente corticoides, também merece acompanhamento.
Sedentarismo, tabagismo e consumo excessivo de bebidas alcoólicas são outros fatores associados ao aumento do risco. Para o especialista, identificar essas condições antes de uma fratura é fundamental, já que as consequências podem ultrapassar o comprometimento dos ossos.
Uma queda considerada simples pode resultar em fraturas graves, principalmente entre idosos mais fragilizados. Além das complicações clínicas, o episódio pode desencadear medo de cair novamente, restrição dos movimentos e perda progressiva da independência.
“Depois de uma fratura, é comum o medo de uma nova queda. O paciente pode insistir em ficar acamado ou restrito à cadeira de rodas e, nessas condições, a doença se agrava rapidamente pelo enfraquecimento acelerado tanto dos ossos quanto dos músculos. A qualidade de vida piora muito”, alerta o Dr. Maurício.
O médico destaca que a recuperação exige atenção não apenas à lesão, mas também às condições físicas e clínicas do paciente. A imobilidade prolongada pode intensificar a perda de força muscular, prejudicar o equilíbrio e aumentar a vulnerabilidade a novos acidentes.
Prevenção começa antes da velhice
Embora a osteoporose seja mais frequente em pessoas idosas, os cuidados com a saúde óssea devem começar muito antes. A prática regular de atividades físicas, especialmente exercícios de fortalecimento muscular e treinamento de equilíbrio, é apontada pelo ortopedista como uma das medidas importantes para preservar a mobilidade ao longo da vida.
“É fundamental fortalecer e preservar o sistema musculoesquelético como um todo. Atividades físicas com carga, associadas a treinos de equilíbrio e consciência corporal, previnem quedas e demais agravos físicos e também garantem a autonomia na velhice”, afirma.
Segundo o especialista, a adoção precoce de hábitos saudáveis ajuda a preservar as reservas de massa óssea e muscular. O acompanhamento médico também é importante para identificar fatores de risco e definir quando são necessários exames e tratamentos específicos.
Avaliação vai além da fratura
No Hospital Ortopédico, em Cuiabá, o atendimento às doenças musculoesqueléticas envolve diferentes especialidades, incluindo cirurgia de mão, ombro e cotovelo, coluna, quadril, joelho, pé e tornozelo, além de clínica da dor e acompanhamento de doenças osteometabólicas, como a osteoporose.
De acordo com o Dr. Maurício, a abordagem deve considerar o estado geral de saúde do paciente, principalmente quando uma fratura ocorre após um trauma de baixa intensidade. Nesses casos, tratar apenas a lesão pode não ser suficiente para prevenir novos episódios.
“Uma única fratura simples do punho pode significar o primeiro aviso de que os ossos estão fragilizados. Não basta, portanto, tratar apenas a fratura, mas sim o estado de saúde do indivíduo, com exames e condutas terapêuticas que garantam sua integridade física e a prevenção de novas fraturas”, ressalta.
O ortopedista lembra ainda que a osteoporose tem tratamento, com diferentes possibilidades medicamentosas. Para ele, reconhecer os riscos e procurar acompanhamento antes que ocorram complicações são medidas importantes para preservar a mobilidade, a independência e a qualidade de vida.
Quando necessário, os pacientes também podem contar com a retaguarda assistencial do Hospital Santa Rosa, que integra o Grupo Santa e dispõe de estrutura hospitalar de alta complexidade, com centro cirúrgico, internação, unidades de terapia intensiva e equipes multiprofissionais, além de exames de raio-x, ressonância e tomografia. A integração entre as duas instituições permite ampliar o suporte aos pacientes conforme suas necessidades clínicas, garantindo continuidade e segurança no cuidado.